16 de setembro de 2020

"(...) Metaphor for Love”







Gosto de tirar os sapatos no carro 
levantar as pernas 
colocar os pés no tablier. 
Fiz muita viagem assim 
recostando o banco do lugar do morto 
semicerrando os olhos com a moleza 
ou com o gozo do ócio
Olhava para os  meus pés durante rectas 
curvas  
descidas. 
Cheguei a atravessar o Atlas assim.
Ontem 
vi pela primeira vez os pés de uma velha 
Foi o fim do sonho 
easy go easy come.







14 de setembro de 2020

"O Concurso de Bom Gosto"* | (sobre pintar)

Eu

encontro

coisas,

depois

guardo‐as.

Junto‐as.

Penso

que

não

as

perco.

Elas

entendem‐se

entre

si

numa

lógica

só

sua.

Eu

estou

de

fora.

O

tempo

vai

passando

e

depois:

(...)

depois

eu

tento

entrar,

forço,

vou

forçando

e

entro

mesmo,

mas

por

vezes

o

espaço

é

pequeno

e

perco‐as,

apesar

de

nos

misturarmos

eu

mato.

E

perco.

Ou

será

que 

ganho?

Nada

é

eterno.

É

isto:






*o título é de Lydia Davis


11 de setembro de 2020

Todos os anos, a 11 de Setembro

eu publico este texto: 


A 10 de Março de 2002 descemos uma 5th Avenue deserta e fria. Íamos subir ao Empire State Building, que voltara a ser o maior edifício de NYC. A 366 metros por minuto o céu fica mais perto. Não estava muita gente. Estava até muito pouca gente. Ali e na cidade inteira. De repente, duas enormes colunas de luz azul substituíram o World Trade Center.
Ninguém falou, fotografou ou fez qualquer gesto.Olhamos simplesmente em silêncio. Depois descemos, voltamos pela Broadway até à 51.
Nunca falamos muito sobre essa noite. Voltamos muitas vezes a NYC. Nunca fomos ao Ground Zero. Por respeito

Little Korea, Little Ukraine, Little Italy, Chinatown, Lower East Side (judeus), Little India, Yorville (alemães), Upper East Side (russos), El Barrio (latinos) Hell’s Kitchen (irlandeses) e o maravilhoso Harlem.

Foi de “Littles” que se fez a “Big”. Não vi um único “Novayorquino” de cabeça baixa nesse frio mês de Março de 2002. O que mudou foi o skiline, aquilo que os olhos alcançam. O “coração” da Big, esse músculo involuntário continuou em “littles” batidas tum tum, tum tum, tum tum. NYC será sempre a cidade mais viva do mundo.

Saudades de ti Madalena, por cá continuo ainda.Feliz, como tu querias. 

*Adenda de 2020: Olha, há um virús muito contagioso a matar gente no mundo inteiro. Não pude este ano cumprir a promessa de voltar a NYC de dois em dois anos e subir ao Empire. O melhor é fazer de conta que este ano "não conta" pode ser?



9 de setembro de 2020

Sob anonimato


Oeiras candidata-se a Capital Europeia da Cultura 2027.

O regulamento encontra-se aqui e a  cerimónia de atribuição decorrerá no 
Dia Mundial da Poesia em 2021. 


8 de setembro de 2020

Leonor de Almeida

SpaceX Dragon, Agosto 2020
screenshot 


 Canto Vago


                                                Eu queria  conhecer as estrelas 
                                                que alumiam o céu do sono!

                                                O sono dá notícia dos mortos
                                                O sono cala o vento
                                                apaga a chuva
                                                e destrói o tempo

                                                O sono ignora o coração
                                                O sono ignora o pensamento

                                                Eu queria conhecer as estrelas
                                                que alumiam o céu do sono!

                                                Até os pássaros dormem
                                                Testemunhos da natureza
                                                os pássaros distendem as asas
                                                que aderem à folhagem
                                                e dormem...
                                                e conhecem as estrelas
                                                que alumiam o céu do sono!


Almeida, Leonor de. poesia reunida, na curva escura dos cardos do tempo, Ponto de Fuga, Lisboa, 2020

7 de setembro de 2020

Uma Tristeza na Feira do Livro

 



É já no Domingo que a nossa querida poeta participa no encontro “Delícias em Língua Portuguesa” acompanhada por Fernando Venâncio e Marco Neves. 

Must