24 de setembro de 2020
40 anos depois
23 de setembro de 2020
21 de setembro de 2020
Para a Rita perceber
“As Desgraças da vida, são a alegria da arte”
Take 1
Obladi obladá, era a época do gelado Rajá.
Nasci no nº15 da Avenida António Augusto de Aguiar a 6 de Agosto de 1960 e a coisa mais radical que fiz nessa década foi receber o Prix de Turbulence no Liceu Francês Charles Lepierre, ainda as Amoreiras eram mesmo para apanhar as folhas que alimentavam aquelas lagartas que tínhamos em caixas de sapatos e que eram os únicos animais que a minha mãe permitia que coabitassem connosco. Os bichos-da-seda.
Já nessa altura dizia que queria ser pintora talvez por ter sempre à mão canetas de feltro, lápis de cor, de cera e lapiseiras (uma infância Caran D’Ache…).
Nunca gostei de aguarelas e tinha queda para os guaches que espremia com especial gozo.
Apaixonei-me por uma tesoura mais ou menos por volta de 1967 e até hoje ela tem sido a minha mais fiel companheira (só a traí em 1998 quando resolvi fazer uma exposição sem uma única colagem. - não gostei da infidelidade.) Lembro-me de recortar a Jackie Kennedy das páginas do Paris Match e acho que foram essas as minhas primeiras colagens
Para ver se ganhava algum prémio de jeito ou domar a minha indisciplina passei a frequentar o colégio ao lado, o Externato do Parque das Irmãs Doroteias onde passei então a década de 70 a fazer desenhos tipo “Amor é” e naturezas mortas psicadélicas, influência do grafismo da época e da leitura voraz da revista “Schoner Wohnen” (o meu período Rotring…)
No dia 25 de Abril de 1974 não percebi muito bem o que estava a acontecer. Mas calculei que a coisa não fosse má, pois a televisão mostrava muita gente bem disposta nas ruas e eu sempre gostei de festas.
Mas não saí de casa, vi a revolução pela televisão a preto e branco, de robe aos quadrados escoceses, um pouco estupefacta com tanta gente sorridente, “Chaimites” e G3 com cravos.
O meu percurso político também é um pouco peculiar, venho da direita para a esquerda, o que não é de estranhar, pois nenhuma adolescente desinformada como eu era, gosta de um dia para o outro perder privilégios.
Mas rapidamente percebi que me tinha saído a “Sorte Grande” e li tudo o que me apareceu à frente.
Passei da “Colecção Azul” às “Novas Cartas Portuguesas” enquanto o “diabo esfregou um olho.”
Tão depressa como passei dos rios de Angola à Revolução Cubana cheguei aos anos 80.
Entrei na ESBAL em Janeiro desse mesmo ano e percebi que tinha começado a minha vida de adulta.
Take 2
Obladi obladá já não há gelados Rajá.
“Travelling”,” Peeping Tom”, “Mary Smith born in 1989”, “Notorius”, “Tous les chiens de ma vie”, “Phoenix, Arizona”, “O telefone acordou-a às 5.30 da manhã”, “Coats and Clark”, “Casual”, “Besoin d’une jolie fille pour mercredi”, “Insípida”, “Os domingos passaram a ser dias suportáveis”, “Este ano o tempo é que se atrasara, mas eles eram pontuais”, “Elisabeth Alione teve um estremecimento”, “Trois chiens rouges”, “Imbecil”, “ La vengence d’ une blonde”, “Bad day at Black Rock/ Vera Cruz (sessão dupla) ”, “Estrada 175 Norte”, “Cianeto”, “She was a visitor”, “Quebec”, “Peneirenta”, “Pick my box”, “Entre mim e os meus botões”,”Sonso”, “Finalmente”, “ Um, dois, três macaquinho do chinês”, “Aborrecida”, “Bavarder”, Mr and Mrs Donuts”, “Glum”,
“Sem título – colagem”, ”Top hat”, “ Branca de Neve I”, “Branca de Neve II”, “Branca de Neve III”, “Inconfidência”, “Orgulho e preconceito”, “Pourquoi faire simple, quand on peut faire compliqué?”, “Austrália”, “ To have or have not”, “ December the coolest Month”, “I’ve never expected you to come”, “A glimpse”, “Still”, “Colecção Cinema”, “By friends and enemies alike”, “Beija-me idiota”, “Ménage à trois”, “Woman’s work is never done”, “Ao lado de uma menina limpa há sempre uma menina suja”, “Tudo isto e o céu também”, “Madalenas”,”A minha desordem é o meu capricho”, Inaparente”, “Para antes do esquecimento”, “Enquanto Tarzan dormia”, “Super Pop”, “ A maravilhosa tendência para o desastre”,”Janela indiscreta”, “Unforgiven”, “She”, “Ouça-a”, “Acabo de cair da bicicleta”, “Sou uma pessoa pouco sociável”, “Uma rapariga turbulenta”, “Mas”, “Coração Burro”, “El dolor de Lolita”, “Tornei-me feminista para não ser masoquista”,”Acredito ter mãos, acredito ter boca, quando só tenho patas e focinho”, “É – me”,” Agora és minha”, “Não pretendo respostas inteligentes para tudo”, “Nada a fazer”, “Nada a dizer”, “Nada a acrescentar”.
Pinto há 26 anos, a última pintura que fiz chama-se, “ O treino da generosidade”
Texto publicado no Jornal de Letras
Escrito em dezembro 2007
ADENDA: agora pinto há 40 anos, e tenho mais "resmas" de títulos para escrever textos
20 de setembro de 2020
17 de setembro de 2020
A coragem dos tímidos
Coragem dos tímidos
Cão sem dono
Carrasco Santa
Não jogo.
Aspereza
Agrura
Abri as portadas do atelier e a fria manhã de Setembro gelou-me as mãos.
16 de setembro de 2020
"(...) Metaphor for Love”

14 de setembro de 2020
"O Concurso de Bom Gosto"* | (sobre pintar)
Eu
encontro
coisas,
depois
guardo‐as.
Junto‐as.
Penso
que
não
as
perco.
Elas
entendem‐se
entre
si
numa
lógica
só
sua.
Eu
estou
de
fora.
O
tempo
vai
passando
e
depois:
(...)
depois
eu
tento
entrar,
forço,
vou
forçando
e
entro
mesmo,
mas
por
vezes
o
espaço
é
pequeno
e
perco‐as,
apesar
de
nos
misturarmos
eu
mato.
E
perco.
Ou
será
que
ganho?
Nada
é
eterno.
É
isto:
*o título é de Lydia Davis
11 de setembro de 2020
Todos os anos, a 11 de Setembro
eu publico este texto:
A 10 de Março de 2002 descemos uma 5th Avenue deserta e fria. Íamos subir ao Empire State Building, que voltara a ser o maior edifício de NYC. A 366 metros por minuto o céu fica mais perto. Não estava muita gente. Estava até muito pouca gente. Ali e na cidade inteira. De repente, duas enormes colunas de luz azul substituíram o World Trade Center.
Ninguém falou, fotografou ou fez qualquer gesto.Olhamos simplesmente em silêncio. Depois descemos, voltamos pela Broadway até à 51.
Nunca falamos muito sobre essa noite. Voltamos muitas vezes a NYC. Nunca fomos ao Ground Zero. Por respeito
Little Korea, Little Ukraine, Little Italy, Chinatown, Lower East Side (judeus), Little India, Yorville (alemães), Upper East Side (russos), El Barrio (latinos) Hell’s Kitchen (irlandeses) e o maravilhoso Harlem.
Foi de “Littles” que se fez a “Big”. Não vi um único “Novayorquino” de cabeça baixa nesse frio mês de Março de 2002. O que mudou foi o skiline, aquilo que os olhos alcançam. O “coração” da Big, esse músculo involuntário continuou em “littles” batidas tum tum, tum tum, tum tum. NYC será sempre a cidade mais viva do mundo.
Saudades de ti Madalena, por cá continuo ainda.Feliz, como tu querias.
*Adenda de 2020: Olha, há um virús muito contagioso a matar gente no mundo inteiro. Não pude este ano cumprir a promessa de voltar a NYC de dois em dois anos e subir ao Empire. O melhor é fazer de conta que este ano "não conta" pode ser?
9 de setembro de 2020
Sob anonimato
Oeiras candidata-se a Capital Europeia da Cultura 2027.
8 de setembro de 2020
Leonor de Almeida
screenshot
Canto Vago
7 de setembro de 2020
Uma Tristeza na Feira do Livro
1 de setembro de 2020
Must
-
Volto aos álbuns da minha vida, agora para vos apresentar o tomo 2. Aqui, a escolha é do álbum que me abriu as portas ao mundo do meu ...